sexta-feira, 11 de novembro de 2011

PRECONCEITO CONTRA NORDESTINOS Por que ele ainda é tão forte no sul/sudeste? "A gente vem jogar na Paraíba e colocam um paraíba para apitar, só podia dar nisso". A declaração do jogador Edmundo em 1997, à época atuando pelo Vasco, após ser expulso por um juiz cearense em um jogo em Natal, evidenciou bem a generalização e o preconceito ainda existentes no país, especialmente no sul/sudeste e contra nordestinos. De lá até hoje, nada mudou. Políticos recentemente já atribuíram o aumento da violência em São Paulo à migração desenfreada, enquanto ps "paraíbas" e "baianos" (como são chamados os nordestinos em geral no Rio de Janeiro e em São Paulo) continuam a ser vistos e tratados com discriminação, seja ela explícita ou não, de modo que uma declarações como estas duas podem externar preconceitos que muitas vezes são considerados naturais por quem os profere. O porquê do preconceito O preconceito contra os nordestinos tem raízes no racismo, especialmente porque mulatos, negros e descendentes de índios compõem grande parcela da população das regiões norte/nordeste. A comparação com os imigrantes europeus e a maioria branca do sul/sudeste desenha um quadro de gritantes diferenças. Quantas vezes já ouvimos o Nordeste ser comparado à Índia, ao passo que o Sul/Sudeste teria paralelos com a Bélgica? A partir daí é gerado o monstro chamado "Belíndia", com elites favorecidas e pobreza infinita convivendo juntas. Mesmo nestas comparações, encobrimos com o preconceito áreas nordestinas que poderiam aparecer no país europeu e focos de miséria crescentes nos estados mais ricos do país. Após a origem no racismo puro e simples, o preconceito se disseminou e curiosamente passou a brotar de outras raízes: os migrantes começaram a ser vistos como a causa principal da pobreza nas metrópoles, quando na verdade contribuíam como mão de obra barata para o desenvolvimento destas regiões. São Paulo, por exemplo, pode ser considerada cidade mais nordestina do país, tamanho é o contingente de moradores naturais desta região do país. Mesmo assim, o preconceito existe e não é assumido, pelo contrário, os grandes contrastes sociais presentes especialmente na capital paulista e no Rio de Janeiro são sempre apontados como reflexos da migração em massa e descontrolada, nunca como resultantes da má distribuição de renda ou falta de oportunidades, características comuns ao Brasil há séculos. O mais curioso (e triste) de toda esta realidade: ao contrário de países envolvidos em conflitos ou guerras civis, o Brasil não tem divisão de etnias ou tribos, sendo o preconceito movido apenas por questões geográficas. Talvez por este motivo os embriões de movimentos separatistas sulistas nunca tenham ganhado mais do que algumas páginas na internet e manifestações isoladas, felizmente. fonte: http://www.igeduca.com.br/artigos/convivendo-com-a-diferenca/preconceito-contra-nordestinos.html

Programa CQC

Vereadores aprovam moção contra preconteito a nordestino.

CE: vereadores aprovam moção contra preconceito a nordestino
02 de novembro de 2011 12h06 atualizado às 13h38
Vereadores da Câmara Municipal de Fortaleza aprovaram nesta terça-feira uma moção de desagravo ao povo nordestino e ao colégio Christus, em protesto aos ataques sofridos através de meios midiáticos depois da notícia de que 13 questões do Enem 2011 teriam sido entregues aos estudantes, antes da realização das provas nos dias 22 e 23 de outubro. Por conta da antecipação das questões, que provocam uma disputa judicial entre Ministério Público Federal e Ministério da Educação, vários usuários publicaram mensagem preconceituosas contra nordestinos e contra os alunos da instituição de ensino.
O vereador Eron Moreira (PV), autor do requerimento, disse que "mais uma vez o povo cearense, principalmente o fortalezense, é enxovalhado pela internet. O burburinho foi e continua grande, viu-se de tudo. Que se faça pré-teste, mas o mais sensato era que essas questões sequer constassem em banco de dados. Ou é incompetência ou falta de compromisso do Ministério da Educação".
Parlamentares de outros partidos também se solidarizaram com o debate e subscreveram o documento. Eron ainda finalizou seu discurso dizendo que "o desrespeito não foi só com o Christus, seus alunos e familiares, mas com os nordestinos colocando na mídia que os nordestinos se aproveitam".
Marcelo Mendes (PTC) defendeu o colégio Chritus e atacou o ministro Fernando Haddad afirmando que "o erro não foi do colégio que se utilizou de questões que eram públicas. Sacrifica o colégio para justificar mais um erro do Enem, se o ministro Fernando Haddad quer encontrar um boi de piranha, procure em sua própria equipe ou na organizadora".
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Ceará já havia se manifestado com relação aos ataques aos nordestinos nas redes sociais. O presidente da comissão de educação Edimir Martins garantiu que a ordem vai investigar e entrar com uma representação criminal na justiça contra os usuários.
Em outubro do ano passado, a estudante Mayara Petruso, de São Paulo, fez comentários ofensivos através do Twitter aos nordestinos logo após a vitória de Dilma Roussef como presidente. Em maio deste ano dois casos marcaram o preconceito. A internauta Amanda Regis publicou em sua página do microblog que "esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que tem moral, cambada de feios. Não é atoa que não gosto desse tipo de raça". O último registro antes da polêmica do Enem foi o da usuária Carolina Beloni que comentava o desempenho do atacante Magno Alves, então jogador do Atlético-MG, dizendo que "Magno Alves é a prova viva de que nordestino serve pra p**** nenhuma além de ser porteiro".
Especial para Terra

Nordestinos no Twitter

Nordestinos são vítimas de preconceitos O ministro Francisco Graziano não teve intenção de desqualificar os nordestinos, ao associar, numa frase infeliz, a migração para as grandes cidades, como São Paulo, à criminalidade. Certamente ele quis dizer que a miséria estimula a violência e a migração, em tempos de pouco emprego, é um ingrediente de degradação urbana. Mas o preconceito entre determinado tipo de paulistanos contra os nordestinos existe e, assim como o preconceito racial, não é discutido nem assumido. Não são poucos os que vêem os migrantes (assim como eram vistos imigrantes) não como gente disposta a prosperar e trabalhar, mas estorvos que geram pobreza e mesmo a violência. Crianças paulistanas acostumam-se a ouvir o substantivo "baiano" transformado em adjetivo genérico e negativo para os nordestinos. Há um indício claro deste preconceito, graças em larga medida ao próprio poder público. São Paulo é a maior cidade nordestina do Brasil, mas até hoje ( e quase ninguém nem sequer pensa no assunto) imaginou-se um museu para contar a presença dos nordestinos, ao contrário do que existe para italianos, espanhóis, portugueses e judeus. Nas novelas, os personagens heróicos de São Paulo são europeus, quase nunca ( para não dizer nunca) brasileiros que migraram. Fala-se, e muito, na introdução nos currículos escolares da questão africana para estudar o negro. Justo, claro. Mas raras escolas estimulam seus professores a discutir com os alunos a questão nordestina. Quando ocorre, geralmente é pelo lado depreciativo, como a pobreza das migrações. Dá para tentar começar a reparar o erro este ano, quando a cidade se prepara para comemorar seus 450 anos. Fonte: gdimen@uol.com.br